Meu primeiro flagrante

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Em meados de 2020, terminava a graduação em Direito… uma das melhores sensações
que vivi até hoje, havia passado no Exame da Ordem dos Advogados ainda durante o
curso e estava empolgadíssimo com a nova fase da minha vida profissional.

No início do mês de outubro recebi a tão sonhada “carteirinha” e aguardava o contato
do meu primeiro cliente, o tempo de espera foi bem curto, na mesma semana recebi a
ligação e um pedido de ajuda urgente!

Era uma sexta-feira, por volta das 23:40, me lembro da sensação como se tivesse
acabado de viver, uma mistura de felicidade com preocupação.

O telefonema era urgente, atendimento de familiar detido em flagrante e que precisava
dos meus serviços. E agora? Como proceder? Quais documentos levar? Quanto cobrar?
Como me comportar na Delegacia? Perguntas que não são respondidas nos bancos da
Universidade!

Muitas dúvidas de um Advogado iniciante, respirei fundo e passei por cima de todos
estes questionamentos, fiz um preço e em seguida parti rumo à Delegacia.
Ao chegar em frente à Delegacia a família já me aguardava ansiosa, colhi algumas
informações com os familiares, a princípio era um caso relacionado a um possível delito
de tráfico. Antes de entrar procurei receber adiantado a diligência, única questão de
prática em atendimentos que guardava dos bancos da graduação.
Ao entrar na Delegacia, fui recebido por um funcionário não muito amistoso, que
perguntou o que eu queria na Delegacia àquela hora da noite numa sexta-feira, pensei
uns poucos instantes para responder, mantive uma postura firme e respeitosa e disse:

– “Vim para ver um cliente! Prossegui com o nome e antes de mais nada, solicitei para
ter um contato com ele de forma reservada.

O funcionário me olha dos pés à cabeça, e diz que eu teria que aguardar, pois meu
cliente estava na fila da Central de Flagrantes. O tempo de espera foi consideravelmente
longo, havia fila a Delegacia estava cheia naquela sexta.

Passado algum tempo, consegui falar com meu cliente e baseado somente no que ele me
passou, fiz uma leitura fática do que havia acontecido no momento da prisão em
flagrante, era um caso de porte de drogas para consumo. Na minha cabeça!

Após algumas horas, fui chamado para acompanhar a lavratura, chegando, me deparo
com uma sala lotada de entorpecentes, ou ao menos algo que parecia ser… papelotes,
celulares, dinheiro, balanças, pensei comigo, não há a mínima possibilidade de se alegar
posse para consumo, acompanhei os condutores e logo em seguida trouxeram meu
cliente, ao entrar ele olha para mim e senta ao meu lado, falei para ele somente uma
coisa, “fica calado, não responda nada”, concluída a lavratura, saí da Delegacia
decepcionado com minha primeira atuação.

Refletindo durante o final de semana, tirei pontos positivos do meu primeiro
atendimento, aprendi a sempre estar preparado para uma emergência, hoje possuo um
kit flagrante no carro e o levo para onde vou, outra questão é buscar informações junto ao escrivão antes de ter contato com os clientes, para poder orientá-los da maneira mais
adequada.

A prática na Advocacia Criminal é por vezes árdua, mas ao mesmo tempo gratificante, o
aprendizado é diário, não importa quanto tempo estejamos na trincheira e é por conta
disso que sou apaixonado pelo que faço.

Sobre o Autor

TAlex Almeida Reis, graduado em Direito pela Unifacear/Pr, pós graduado em Direito Militar e pós graduando em Processo Penal e Direito Penal, Advogado especialista em crimes licitatórios e improbidade administrativa.

Instagram: @alexrralmeida