A primeira vez que fui a um presídio

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Uma Amiga sempre me dizia que eu tinha que ir para área criminal, eu relutava, alegava que tinha medo e não sabia a matéria, mas sempre pegava um ou outro caso de usuário de drogas que precisava de auxilio em audiência. Cobrava meus honorários para acompanhamento APENAS do ato e pronto, eu feliz com dinheiro no bolso e cliente feliz que ia tinha se “livrado” do processo. Ótimo!


Me mudei para São Paulo/Capital e um dia me contactaram para realização de uma diligência, não tinha compreendido muito bem do que se tratava, mas dei o meu preço e veio a resposta positiva da contratação e o job description que consistia em ir até uma Casa Penal no extremo sul de São Paulo (Parelheiros) e retirar uma documentação do apenado para progressão de regime e, lá fui eu achando que era perto… 3 horas depois cheguei à Casa Penal, parei meu carro e desci, tal qual uma pessoa que vai dar um passeio no Shopping, com dois celulares, relógio, chave do carro, carteira, enfim… mais um pouco eu levava até os cachorros comigo. Quando chego na primeira portaria o Policial me pergunta: “Pois não?” Eu falei o que tinha que fazer e, ele de pronto: “Sua primeira vez no presídio né?!” Encucado de como ele tinha notado, respondi “Sim, por quê?” Aí ele, “deixa eu te explicar, aqui não pode entrar com celulares, carteira, etc. ou deixa no carro ou na recepção antes de entrar”.


Optei por deixar no carro. Entrei, meio tenso, um pouco assustado e me perguntaram o nome do preso, e estava onde? Pois é leitores, estava no meu e-mail que eu não tinha como acessar lá dentro…


Você lembrou de imprimir o Subs e a petição de juntada? Pois é, nem eu! Tive que voltar correndo para um “centrinho” e implorar a impressão numa auto-escola sob o argumento que não era de São Paulo e que precisava com urgência até que uma alma benevolente me permitiu acessar meu e-mail e imprimir o que precisava para voltar e cumprir a diligência. E nem quiseram aceitar pagamento. De tudo isso, o principal é:


Lembrem-se dentro da Casa Penal nem sempre tem processo eletrônico, sempre imprima às coisas e não levem todos os pertences como um passeio no Shopping, leve apenas o essencial, que diferente do Pequeno Príncipe é bem visível aos olhos: Caneta de Material Transparente, Folha de Papel (alguns lhe permitem entrar com agenda) e sua OAB. A chave do seu carro pode ser deixada na recepção, no armário e tem alguns que lhe permitem entrar cm ela no bolso. Menos é mais.

Sobre o Autor

Thiago Teza Gonsalves é Bacharel em Direito pela Pontificia Universade Católica do Paraná, Especialista em Direito Empresarial pela Faculdade da Indústria e do Comércio do Paraná e especializando em Direito e Processo Penal pela ABDConst e Direito Digital pela Ebradi. Sediado em São Paulo com atendimento em todo o território Nacional.